Crescer, dói !

Estou há meses me preparando para esse post.

Sim, faz tempo que não escrevo e já tem amigos me cobrando, rsss.

Matheus estudou por 4 anos em uma escola regula de educação infantil. Ano passado, fomos convidados a não fazer a rematrícula. Iniciava nesse período, em outubro de 2013, uma luta incessante para encontrar uma escola nova pra ele em 2014. Acontece que as vagas se encerram, normalmente, em Julho.

Foram 19 escolas visitadas. 10 delas me negaram a vaga por ele ter autismo. 3 me ofereceram a vaga, se eu mantivesse uma AT (assistente terapêutica) com ele na escola o período inteiro.  4 me ofereceram a vaga, com o intuito de começar, pela primeira vez o trabalho com uma criança especial. E duas, eram especializadas em autismo e me cobraram mais da metade do que ganho por mês.

Quase sem saída, com problemas no esôfago, depois de tanto nervoso, reabri o processo que já havia ganhado no estado e fui atrás da escola indicada.Era uma escola dedicada à crianças especiais.

E por isso, meu medo veio à tona de novo.E agora? Será que ele não terá mais amigos? Como vai ser a sua imitação se ele verá apenas amigos que tem as mesmas dificuldades que ele? Mas eu não tinha saída, tive que enfrentar esse medo e decidir por alguma. E foi o que fiz.

O que me levou por decidir por essa escola do Estado, esteve diretamente ligado à reunião que tive com a coordenadora. Ela me explicou claramente o programa deles de ensino e confesso que fiquei encantada! São tantos detalhes que eles podem trabalhar, são tantas coisas boas que ele pode aprender, voltada para o que de fato ele precisa, que na mesma hora, preenchemos os papéis, Eu e o Pai dele, e o matriculamos.

Em fevereiro, mês das minhas férias, as aulas começaram.

No primeiro dia, ele ficou resmungando, mas entrou. Claro que eu não consegui ir embora pra casa. Passei a tarde toda do lado de fora da escola, tentando ouvir algum choro que fosse parecido com o dele. Loucura minha, o menino NEM chorou, rsssss

A partir da segunda semana, ele começou a ir de perua. Não preciso dizer que quase morri no primeiro dia… a perua ia na frente, e eu atrás chorando. Meu menininho, tão pequeno (claro que na minha cabeça, né) estava indo sozinho pra escola!!!!Segui a perua por uma semana, na ida e na volta! Era demais pra mim, deixa-lo crescer e não participar daquilo. A Tia da Perua tem um menino autista de 30 anos, e ela é um anjo na vida do Matheus. Vai cantando, batendo palma, e ele nem deve conseguir processar tudo, por ser muita informação, então não tem tempo nem de reclamar, rssss

Já passamos pela festa de carnaval, com louvor! Muitas fotos dele fazendo pose com os amigos e com a professora. Eu sei, ah como eu sei…Muitos desafios estão por vir. Mas ele sabe que estamos juntos nessa. E passaremos por eles. Juntos.

Outra coisa que conseguimos foi a natação. Há 4 anos, vínhamos tentando que ele fizesse natação. Nunca conseguiu entrar em uma aula, tamanho era o incomodo do local onde ficam as piscinas. Nunca, é nunca. E entendam isso por todo choro, escândalo e birra que conseguirem imaginar.

Eis que na minha primeira semana de férias, voltei pra academia e resolvi conhecer a piscina. Lá, encontrei com um professor que atende alunos de grandes escolas especiais de SP e que trabalha especialmente com crianças que tem Down e Autismo. Quase que não acreditei. Já combinei com ele e no outro dia, lá estava, Eu e o Matheus.

No primeiro dia, ele estava com medo. Medo mesmo, coração acelerado, tremendo e segurando tão forte na minha mão que meus dedos estavam roxos. Ficamos assim por 40 min e fomos embora.

Logo no segundo dia, após 10 min, o Professor entrou com ele na piscina. Ele me chamava, chamava sua Babá, mas foi. Em seguida o segurei e o seu coração já estava calmo. Tudo que ele sempre precisou foi de alguém pra mostrar pra ele que aquele lugar não era ruim. Que ele estaria seguro ali com o professor e que era suficientemente capaz de fazer isso sozinho!

Image

Na terceira aula, ele nadou e passou entre as raias.

Na quarta aula, o professor teve a brilhante ideia de colocar outra aluna na aula com ele, no mesmo horário, e nesta aula, ele já fazia o possível para imitar tudo que ela fazia. A cena mais linda que eu já vi.

Pensa você, que as probabilidades de comparação apontadas, indicam que eles vivem no mundo deles!

Há muito tempo atrás ouvi de uma pessoa que eu admiro muito, a Marie Dorión, quando eu pedia conselhos sobre o que fazer, a frase que nomeei este post. E ela disse: Crescer dói, Gi. É assim mesmo. Isso nunca mais saiu da minha cabeça.

Penso nisso o tempo todo…em relação ao trabalho, em relação à um relacionamento, pra tudo!
É necessário, tem espinhos no caminho, mas sempre nos leva a lugares novos. Enfrentar nossos medos é a maior guerra que temos que vencer. Porque no final, nos sentimos capazes! E essa sensação é boa demais!

           Como eu sempre falo, Ao Infinito e Além!

2 responses to this post.

  1. Sucesso parabéns por mais esta conquista, mais uma de várias que ainda virão…

    Responder

  2. Posted by Vanessa Santos on 20/03/2014 at 2:47

    Gi estou muitoooooo feliz. O Ma está lindo…a carinha dele de felicidade na piscina…muito bom! Sinto saudades dele e de você. Realmente crescer dói, mas é bom ver o filho conquistar seu espaço, realizar seus desejos. Fico imaginando o olhar dele pra você quando ele se realiza. Adoro vocês. Bj

    Responder

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