Na escola, fazendo atividades com outras crianças.

Esse foi um texto que escrevi pra escola no começo do ano. Foi adaptado para o Mathueus com a analogia que fiz do café e tambem com as brincadeiras que eu acredito que pra ele serviriam…

Honestamente, ajudar as pessoas que convivem com o seu filho é o mínimo que podemos fazer para que os resultados esperados sejam alcançados!

Escrevi mais alguns… posto depois!

Sim, o Matheus tem que sentar e fazer as atividades como as outras crianças se ele esta em uma classe de inclusão, mas, A INCLUSAO É UM PROCESSO.

É super importante entender isso, o Matheus ainda não esta “pronto” para o objetivo final, sentar e fazer as atividades acompanhando o grupo, por isso será necessário usar algumas estratégias para conseguir isso.

A princípio parece que você pode estar premiando o “mau comportamento”, mas se este comportamento for produto de uma necessidade sensorial é necessário que todos reconheçam que o Matheus precisa desse estímulo sensorial para poder ficar concentrado (e sentado).

Vamos fazer uma analogia.

Eu tenho o “vicio” de Café.

Vou partir do principio que eu preciso de café para ter um bom dia. Então eu acordo e antes mesmo de me vestir, ja coloco a agua para o café, eu me visto sem enrolar e sem me distrair porque sei (mesmo q no inconsciente) que depois de vestida vou poder tomar o meu primeiro gole de café do dia, Ah! E isso me faz tão bem! Depois do meu café saio para trabalhar ou fazer as coisas da casa, lá pelas 10 da manha, eu penso “Ummm, é hora do meu cafezinho”, e la vou tomar outro golinho de café, e então sigo com as tarefas, eu almoço e, outro café, mais outro no meio da tarde e assim fiz meu dia e cumpri minhas tarefas.

Um belo dia chega alguém, que ainda não tenho nenhum apreço, e diz que eu preciso me concentrar mais, que eu ando dispersa e então essa pessoa me diz que só vou poder tomar café depois das 5 da tarde, apos ter completado todas as minhas tarefas de forma organizada e eficiente, como eu sou uma pessoa que entende muito de premiação, ela me avisa que as 5 da tarde, quando eu terminar tudo de forma excelente vaio me deixar tomar, não só 5 goles de café, mas uma jarra inteira, super premio, ne?

Agora, imagine como vai ser meu dia, o dia todo sem café e com a promessa de uma jarra no fim do dia se eu completar tudo de forma exemplar. A sua ansiedade vai estar tão alta q eu duvido que chegue ate a hora do almoço sem um chilique!

O Matheus precisa de movimento, ele não consegue ficar sentado o mesmo tempo que as outras crianças porque o movimento é o café dele, é o que faz com que ele consiga se concentrar, mesmo que por poucos períodos.

A primeira coisa que você pode fazer é contar quanto tempo o Matheus consegue ficar sentado, 1 minuto? 30 segundos? Anote esse número. Se ele consegue ficar sentado por 1 minuto fazendo alguma atividade o seu objetivo vai ser aumentar esse tempo para 2 minutos, depois 3, depois 4, e assim por diante.

Entao, professora com a ajuda do AT, devem preparar um atividade que só demore esse 1 minuto para ser completada, se for recorte e colagem, a professora pode recortar quase tudo e só deixar o ultimo corte para o Matheus fazer e então o Matheus cola a figura, pronto! Completou a tarefa, pode levantar. Para as outras crianças da classe, é a mesma coisa, elas terminam a tarefa e então pode levantar, a única diferença é que por agora, a tarefa do Matheus é mais rápida de ser terminada.

Se for colorir, a preparação pode ser feita colorindo todas as bordas da figura e só deixar o meio para o Matheus terminar.

Isso vai ajudar o Matheus a entender que ele não vai precisar ficar sentado “pra sempre” (ou ate às 5 da tarde sem café) e vai ajudar a diminuir a ansiedade e com isso a necessidade sensorial de se mexer.

Alem disso, vai construir um sentimento de competência, pois ele vai perceber que é tão capaz quanto qualquer outra criança de completar a tarefa.

Vai ser necessário um pouco de persistência até ele entender que a tarefa de certa forma é rápida, o Matheus vai apresentar um pouco de resistência no principio, ainda mais porque ja “forçaram” q ele ficasse sentado por mais tempo do que ele é capaz hoje. Então é super importante explicar, com linguagem simples e clara, de forma bem objetiva.

Por exemplo, a linguagem na atividade de cortar: “Matheus, pega a tesoura (a prof pode ajudar mão sobre mão se o Matheus não realizar a ação), corta aqui, “isso, muito bem”!” pega a cola,(o Matheus pega a cola) coloca no circulo (ou qq figura), (aponta aonde a cola deve ser colocada), pega a figura (o Matheus pega), põe sobre a cola (o Matheus põe a figura) “Pronto! Vc fez seu trabalho, agora vc pode escolher o que quer fazer“.

A linguagem deve ser usada passo a passo, muita instrução de uma vez só antes que o Matheus complete a ação vai ser confuso. A medida que o Matheus for se familiarizando com as atividade e com as instruções, ele vai precisar de menos assistência e essa assistência deve ser eliminada aos poucos, sentindo quando o Matheus estiver pronto para fazer por ele mesmo.

A linguagem é super importante, muita gente tem tendência de falar demais e isso confunde a criança com autismo.

Dê a instrução e espere, ate 5 segundos.

Alem disso, e muito importante, deve-se dizer ao Matheus o que fazer, e não o que não fazer. Por exemplo, “Matheus, senta na cadeira” ao invés de “Matheus, não pode correr agora”, no corredor “Vamos usar os nossos pés de andar” (ao invés de “não corre!”)

Se nada disso adiantar, talvez o Matheus precise de mais estimulo sensorial e aí existem outras estratégias que geralmente são usadas quando as crianças atingem 6 anos e tem que estar no pré-primário que tem menos flexibilidade na rotina.

Algumas estratégias são:

Colocar um elástico em torno dos pés da cadeira da criança, assim ela pode balançar a perna e sentir o estimulo sensorial do elástico fazendo a pressão contra,

Você pode sentar a criança em uma almofada ou bola de ar isso vai ajudar com que a criança supra a necessidade de movimento, mesmo sentada (http://www.sensoryedge.com/therapyballs.html)

vc pode colocar uma bola abaixo dos pés da criança (a bola deve estar meio murcha, se não vai ser um tal de levantar para ir buscar a bola q rolou) e a criança pode movimentar os pés e ter a o estimulo necessário para a concentração,

Você pode colocar uma manta de peso no colo ou ombros da criança e isso ajudara na pressão q a criança busca com o movimento e assim ela não terá a necessidade de levantar, esse peso não pode ser mais do q 10% do peso total da criança (http://www.specialneedstoys.com/usa/kits/1060-small-grab-n-go-proprioception-kit.html) tanto pode ser uma manta para o corpo todo ou só para o colo, vc pode fazer em casa e colocar feijão como peso dentro de uma mantar, se vc fizer vários quadrados e depois junta-los vai ajudar q o peso fique distribuído de forma regular. (http://www.specialneedstoys.com/usa/comforting/1445-weighty-snakey.html) esse é um exemplo de peso para os ombros, também super fácil de fazer em casa.

 Na escola, e em casa, é legal intercalar algumas atividades que estimulem e acalmem a área sensorial, isso vai ajudar na concentração. Depois de “gastar a energia” o Matheus vai estar mais pronto para uma atividade sentado.

Alguns exemplos de atividades:

  1. Elástico de ginastica, puxar, fazer movimentos, você pode encontrar esse elástico em casas de esporte e é mais barato ( http://www.sensoryedge.com/15burebaro.html)
  2. Para chute, o movimento é sensacional para qualquer criança (http://www.sensorye dge.com/loboxmeg a.html)
  3. Caixa com arroz para manipular, vc pode esconder brinquedinhos dentro e fazer a caça ao tesouro, o manuseio no arroz é bem calmante,
  4. túnel, passar dentro de túnel de tecido, qq atividade tipo circuito q a criança passa por um escorregador, depois pula num pé so, depois passa por baixo de uma mesa, todas essas mudanças de exercícios físicos numa sequência ativam o “motor planning” (que é uma parte sensorial) e vão estimular a percepção do corpo e ajudar na concentração.
  5. Por fim, ter um cantinho (uma caixa- “o café”) com coisas q o Matheus pode usar para se acalmar, que ele goste: um bichinho de pelúcia, livro, bolinha, tubos, etc, e que ele possa ter acesso quando precisar. E sempre tentar entender a atitude do Matheus, o que levou ele a estar tão agitado? Ou a ficar do contra? Ou a não querer fazer? E assim vai ser possível de ajuda-lo a transpor esses “obstáculos”

Na escola, nada deve ser só do Matheus, todas as estratégias devem estar disponíveis para todas as crianças da classe, no começo fica todo mundo animado, mas depois volta ao normal. Se fizerem a diferença, o Matheus é o “amiguinho especial”, isso é exclusão ao invés de inclusão.

 

One response to this post.

  1. Posted by Luciana Cristina Ribeiro de Souza on 10/09/2012 at 0:05

    Oi
    A dentista do meu filho, dra Isis Guellardi, me indicou seu blog e me disse q vcs têm um grupo de apoio aos pais, gostaria de mais informações. Gostei bastate dos seus textos!

    Responder

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