Um Dia de Cada Vez !

Hoje, divido com vocês um texto ou desabafo de uma mãe que conheço de um adolescente autista. O que eu tirei desse texto?

Que cada dia deve ser vivido intensamente, como se fosse o ultimo! Um dia de cada vez !!

Assim, conseguimos aproveitar as conquistas com olhares mais focados e trabalharmos nos erros para que não errar de novo.

Assim, podemos ver o nascer do Sol, o vizinho no carro que dança feliz uma musica que gosta, seu filho que dá gargalhadas com o desenho que assiste no momento que você mais corre pra arrumar as coisas da escola dele, consegue perceber os olhares dele bravo quando você muda o canal do desenho, consegue aproveitar um almoço com as amigas e simplesmente estar ALI naquele momento. Eu ficaria horas falando coisas que tenho aprendido em tentar viver um dia de cada vez… Por isso, acho que os exemplos já são o suficiente!!

Por Haydee Freire Jacques :

“ A primeira coisa que eu penso, quando sinto o desânimo/desespero/cansaço de vocês é que ninguém aqui é super em nada. Nós somos absolutamente normais e comuns. Aí é que reside toda a nossa grandeza, pois somos mulheres comuns de quem se exige um esforço imenso por amor. Quase sempre um amor que parece não ser correspondido. Mas é correspondido, e nós sabemos muito bem do amor de nossos filhos. Sabem, é muito importante aprender a analisar nossos limites e, importantíssimo, desacelerar sem cobranças ou culpas. Nós somos essenciais para nossas crianças, sem dúvida nenhuma. Somos fundamentais na manutenção de nossa família, também. Os pais podem ser fantásticos, e muitas vezes nos deixam de queixo caído (sem brincadeira, eles podem ter umas sacadas que, de tão simples, chegam a ser geniais!), mas eles precisam de nossa segurança também.  Se é justo ou não, não vem ao caso, mas uma mulher equilibrada e certa das metas a atingir, quase sempre influencia o marido e todos que estão ao seu redor. As coisas funcionam muito melhor com todos em harmonia, né?

De qualquer forma precisamos estar em paz conosco mesmas. Ninguém é perfeita, todos erramos. As pessoas erram de forma não intencional. Sempre, em todas as intervenções, em todas as nossas atitudes, o nosso firme objetivo era ajudar e acertar, estávamos muito certas de que era o melhor a ser feito. No momento era o acertado. Se, com o tempo, percebeu-se que não era bem desse modo, ou que foi a maior burrice, uma pisada de bola fenomenal  o que adianta eu me jogar no lixo? É ruim tomarmos alguma decisão errada, mas foi o melhor que podia fazer na época, com os conhecimentos disponíveis. Outra coisa, somos mães, mas não somos a mulher maravilha, ficamos cansadas fisicamente e emocionalmente exaustas. Normal. Sem culpa nenhuma. É preciso dar uma parada, um intervalo, um tempo que varia de pessoa para pessoa, take your time, como dizem tão bem os norteamericanos. Isso é importante. As vezes a saída está ali, na nossa frente, e estamos tão cansadas e exauridas que não conseguimos ver.

Mas queremos seguir em frente, por que não podemos parar, nosso amor e devoção parece se medir pelo número de horas que dedicamos aos nossos filhos. E nós, onde ficamos nessa equação? Não é assim que as coisas são. O que importa é qualidade. Uma mãe exausta, mesmo que ame devotadamente seu filho, não está fazendo o melhor por ele.

Nossos filhos, qualquer filho, fazem parte do todo, da família. Os especiais podem dar mais trabalho, mais despesa, mas não são mais importantes, nem precisam que a família toda gire em torno deles e de suas necessidades. Muito pelo contrário, estaremos ajudando nossos autistas ao mostrar, na prática, que a vida não gira em torno deles. E nesse ponto o descanso da mamãe é fundamental. Só que descanso começa de dentro para fora. Uma cabecinha fervilhando, cheia de culpas, não permite que um corpo cansado descanse como deve.

Nossos filhos, por outro lado, os adolescentes, falam o que querem. Dependendo da mãe, ouvem o que não querem. Eles vão crescer, vão se tornar pessoas adultas, e vão aprender com a vida e com seus próprios erros. Só então começarão a ver como as coisas aconteceram realmente. Adolescentes veem a vida e seus acontecimentos através de lentes distorcidas. Tudo fica tão anormal. Um pão nunca é só um pão, pode ser um bolo, uma pedra, um sonho, jamais um pão. Cansativo para eles e para os pais. Lembre-se de vocês quando eram adolescentes, quando tiverem esses entreveros com seus adolescentes.

O que quero dizer é que nada é tão ruim quanto parece. Quase sempre o que é preciso é de um pouco de persistência e bom humor. Tudo passa. Ninguém sabe do futuro, não percam o presente por uma hipótese que pode nunca sair disso. Quando estiverem muito cansadas, cheias de tudo, vão dar uma voltinha. Um café no shopping. Uma saidinha no parque. Olhar as árvores e ouvir os passarinhos. Permitam-se aproveitar a vida. Ter um filho autista não é sinônimo de escravidão e dedicação em tempo integral à terapias e estimulações, com intervalos de culpa por não fazer mais, ou por ter feito errado.

Ter um filho, qualquer filho, é motivo de alegria, então vamos nos divertir, por que a vida é breve, e o tempo é um bem que não retorna uma vez perdido.”

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

TodosSomosSemelhantes

Um pouco mais sobre a nossa vida...

Uma voz para o autismo

Um pouco mais sobre a nossa vida...

%d blogueiros gostam disto: