Varias Abordagens para o Autista, hoje ..

Quando recebemos o diagnostico do Matheus, minha primeira, PRIMEIRA, pergunta foi: Ok, o que é que eu tenho que fazer para ajuda-lo?

Na época, a psiquiatra que o diagnosticou me disse: ele precisa de fono, escola normal (ou seja, não focada em crianças especiais) e psicanálise comportamental.

Esse modelo eu segui por 1 ano. E no final desse ano de trabalho intensivo, fizemos uma análise dos ganhos e foram bem pequenos. Fiquei muito inquieta, mas de fato não tinha a menor noção do que eu devia fazer!

Sim, ele já conseguia entrar no consultório da fono sem fazer escândalo, mas não teve nenhuma melhora na comunicação! Com a psicopedagoga, ele simplesmente não queria mais subir as escadas. Teve dia que ele chorou por 1 hora e meia (tempo da sessão) incessantemente! Era mais uma conversa de adulto, do tipo: Eu sei Matheus que você esta incomodado, mas vamos fazer algo para você se acalmar, e você só vai poder ir embora quando se acalmar e pegar tudo o que jogou no chão. Eu ouvia, la debaixo, e ficava feliz por ele estar quietinho quando ela falava, de repente, só ouvia os barulhos……..era chute, arremesso de brinquedos, murro na porta, uma tortura!

Depois de 1 ano com o diagnóstico, conheci um grupo de apoio a pais em que participo e foi aí que tudo mudou.

Uma amiga me falou do ABA (analise comportamento aplicada), me falou da TO (terapeuta comportamental) e aos poucos ia me mostrando as conquistas do filho dela, que me fizeram correr para essas abordagens!

A sensação que tenho hoje é que meus olhos estavam vendados, literalmente, por não ter corrido atrás de informação antes, por não procurar algo diferente, não sei bem ao certo. O fato é que comecei a me achar. Isso  é o que importa.

Hoje, o que já fiz cursos, leio e me atualizo sempre, diz respeito à: ABA, FONO e RDI.

Com a terapia ABA, Matheus se tornou mais responsivo, concentrado, faz pareamento de cores (que nunca tinha parado pra prestar atenção), consegue sentar em sala de aula e realizar as tarefas em conjunto com a turma da sua sala, aponta o que quer que peguemos pra ele, aprendeu a fazer coisas básicas do dia a dia, como a sequência do fazer xixi… fazer o xixi, dar descarga, lavar a mão , secar, descer a tampa da privada e apagar a luz! E não é que ele conseguiu fazer tudo 😃

Com a Fono de hoje, pudemos identificar coisas que antes não nos tinham dito, como as bochechas rígidas, a facilidade que ele tem com algumas sílabas e também a facilidade com algumas sequencias. E assim, vamos trabalhando sua dificuldade com os exercícios.

Nesta parte, preciso citar que nenhum profissional antes da fono dele atual, havia me dado uma direção de uma forma tão eficaz e direta, como a moderadora do grupo que participo, Marie Dorion. Ela nos ensinou exercícios básicos de ajuda para a diminuição da rigidez das bochechas, do trabalho com a língua e de questões sensoriais que foram e são nosso norte.

Aliás, devo confessar que ela, a Marie, em uma ligação de quase 2 horas, foi a minha fada ao me mostrar que EU estava seguindo em um caminho que não ajudaria em nada o Matheus. E foi daí que fui pro ABA e pra AT na escola. Essa é uma diferença na vida de pessoas que estão nessa situação, aceitar opiniões que as vezes vão de encontro com oque estamos fazendo, que imaginamos ser o correto naquele momento. Buscar apoio em mães que já estão nessa caminhada um pouco mais de tempo, buscar opiniões baseada no SEU filho, sim porque cada um é único.

No meu caso, a Marie me orientou e guiou pensando nas necessidades do Matheus e foi como dar um clic com uma varinha mágica. Aliás, pra mim e pra muitas mães ela é uma fada mesmo.

Tenho imenso orgulho dessa mulher, mãe, estudiosa, quase que terapeuta de todas as crianças do grupo que participamos e de muitas outras que ela conhece, amiga, confidente, conselheira, linda e CHEIA, CHEIA de vida e de vontade de viver!!!

Deixo aqui o blog dela, pasmem com o tanto de informações que essa fada tem pra dividir com vocês e comigo, SEMPRE !

Umavozparaoautismo.blogspot.com

Voltando…..

Ainda falta falar do RDI… Essa terapia que é focada na integração sensorial não é realizada no Brasil, de novo, foi a Marie em palestras que me apresentou esse “mundo” tão fantástico.

Não quero falar de teoria…tem muita disponível por ai. O que quero enfatizar são as lições que aprendi no ultimo treinamento e que tento colocar em prática, sempre que posso. O principio de RDI é que a criançacom autismo tem a falta de capacidade de desenvolver a inteligência dinâmica que requer pensamento rápido através de múltiplos canais de informação, ou seja, eles não conseguem processar a visão, audição, tato, olfato, paladar, sistema vestibular, tudo ao mesmo tempo. Assim como já falei em outro post, é a mesma história do restaurante…

Considerando as Memorias de episódios, que mistura informação sobre específicos eventos do passado, ou seja, a resposta emocional é o que aconteceu naquele momento e lugar em particular.

Tenho trabalhado coisas com o Matheus que o motivam a participar mais da minha vida. Chegou do trabalho, tenho roupa pra colocar no varal ou lavar, arrumar mochila, camas, cachorro, tirar o pó (que as benditas 2 obras perto do meu prédio deixam e que pioram a rinite do Matheus), enfim……….. Estou sempre cheia de coisas, mas ouvi na ultima palestra que, mais vale fazermos uma tarefa que demore 2 horas com o nosso filho do que fazer ela e deixar ele sozinho. CLARO que, isso é um exercício, mas eu juro que tento!

Algumas coisas que o Matheus já faz comigo:

1.       Guardar as coisas no local:tapeware, pratos, brinquedos, tudo o que eu entendo que ele sabe onde fica, peço pra ele me ajudar. E ele faz!

2.       Limpar alguma coisa que caiu no chão: claro que ele pega o primeiro pano que vê. Às vezes é camisa, pano de prato, cueca dele, risos… mas o que importa pra mim, é que ele entendeu que precisa limpar se sujar algo.

3.       Arroz: essa conquista foi demorada! Ele faz o processo todo comigo. Coloca o óleo, alho, mexe no arroz seco, lava o arroz e coloca na panela…e de vez em quando temos que ir lá mexer! E quando ele vê pronto pra comer, bate palmas de felicidade…. e já me dá o prato.

4.       Bife: uma das coisas que ele mais ama é bife a milanesa. Então, ter bife na geladeira é sinal de que terá sua comida principal. O que ele faz: Coloca a tábua em cima da pia, põe os bifes e me chama! Eu faço ele me ajudar a temperar…mas mexer no alho, deixa um cheiro forte nas mãos e ele as vezes tem ânsia, então eu deixo ele sair… mas tem que tentar primeiro!

Que me lembro agora, são essas coisas que tenho praticado. Mas quero começar a arrumar a cama com ele, colocar a mesa pra gente almoçar, e outras coisas mais… aos poucos, é claro!

O mercado, apesar de todo pediatra ou mesmo psiquiatra lhe indique, tem várias metodologias e práticas que ajudam na evolução de uma criança especial, além das que eu citei acima:

Sonrise – O Programa Son-Rise não é um conjunto de técnicas e estratégias a serem utilizadas com uma criança. É um estilo de se interagir, uma maneira de se relacionar com uma criança que inspira a participação espontânea em relacionamentos sociais. Os pais aprendem a interagir de forma prazerosa, divertida e entusiasmada com a criança, encorajando então altos níveis de desenvolvimento social, emocional e cognitivo.

Teachh – O programa Teacch (Treatment and Education ofAutistic and Related Communication Handicapped Children), que em português significa Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Déficits Relacionados com a Comunicação, é um programa educacional e clínico com uma prática predominantemente psicopedagógica criado a partir de um projeto
de pesquisa que buscou observar profundamente os comportamentos das crianças autistas em diferentes situações e frente a diferentes estímulos .

Pecs – Sistema de Comunicação por figuras – Formam um sistema de comunicação completo e foram originalmente desenhados para criar, rápida e economicamente, recursos de comunicação consistentes e com acabamento profissional. São utilizados extensivamente em inúmeros tipos de atividades de aprendizado. Os PCS foram criados no início dos anos 80 pela fonoaudióloga americana Roxanna Mayer Johnson e compõe atualmente o conjunto de símbolos mais difundido no mundo inteiro.

Método Montessoriano: Visa à evolução da criança em um aprendizado diligente, no qual cada aluno assume sua obrigação de responder pelos próprios atos no processo pedagógico. O saber não é infligido compulsoriamente ao aprendiz, mas sim construído por ele com o apoio de livros e objetos didáticos, singelos e sedutores, que incitam os aspectos sensórios, motores, racionais e intelectuais do estudante.

A minha opinião é que cada terapia ou abordagem deve ser avaliada pensando no SEU filho.

Como eu não tive a chance de conhecer todas essas abordagens desde o início e sofri bastante até acertar o prumo, acho válido dividir com vocês que ainda estão em dúvida ou que não conheciam essas abordagens!

E vamo que vamo!!!!!

4 responses to this post.

  1. Curti mto!!!! Bjao

    Responder

  2. Posted by Marie on 28/02/2012 at 22:18

    Gi, o conceito das abordagens q incluem a criança autista na dinâmica familiar é muito simples, mas sua aplicação depende de MUITA persistência e força de vontade, por isso, o q vc tem conseguido com o Matheus é puro mérito seu! Sinta orgulho de si mesma, eu sinto orgulho de vc q, mesmo com tantas turbulências na vida, não perdeu o foco no seu filho. Bjs, marie

    Responder

  3. Posted by Suzana on 29/02/2012 at 3:16

    Ninguém no mundo conhece melhor os filhos do que os pais, então o trabalho do terapeuta fica mais fácil com a colaboração dos pais, e no caso do MA sua disposição e do Eduardo fazem toda a diferença, nosso gatinho ainda voa longe!

    Responder

  4. Posted by jenifer on 29/02/2012 at 15:45

    Olá Li e achei muito interessante o resumo de tudo que vc já viveu.
    Meu filho tb me acompanha na cozinha, descascando legumes, temperos e sensacional!
    Meu filho tb faz ABA. o que proporciona uma sucessão de conquistas…
    Como ele já foi alfabetizado e frequenta uma escola pequena regular com apoio piscopedagógico fiquei interessada na sua experiência, só não entendi o que vc quer dizer com ” AT na escola.” O que sigbifica esta sigla?
    obrigado
    Jenifer

    Responder

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