Por uma vida melhor !

E vamos falar um pouco sobre a tal da inclusão social?

Muito bem… no meu caso, a escola atual do Matheus antes dele chegar ainda não tinha participado de nenhum processo de inclusão de uma criança especial.

Quando ele chegou, conforme já falei aqui, destoava das outras crianças e quando começamos o trabalho com a terapia ABA (análise do comportamento aplicada) apontada como a mais promissora no tratamento de indivíduos autistas (Howard, Sparkman, Cohen, Green & Stanislaw, 2005; Landa, 2007; Smith, Mozingo, Mruzek, & Zarcone, 2007; Naoi, 2009), diferentes grupos de pesquisa relataram que cerca de 50% das crianças que participaram de tratamento ABA de forma intensiva atingiram funcionamento típico após dois a quatro anos de terapia; e as outras 50% obtiveram ganhos significativos em comunicação, contato social e tarefas de auto-cuidado (e.g. Lovaas, 1987; McEachin, Smith & Lovaas, 1993; Sallows & Grapner, 2005), preparamos o acompanhamento dele na escola com uma AT (Assistente Terapêutica) para o apoiar no período em que estiver na escola.

Eu vou ser bem sincera, espero que minha opinião mude, mas não temos um trabalho efetivo de inclusão no Brasil. De qualquer forma, fico maravilhada quando vejo o Matheus com seus amigos. Ouvi do Neuropediatra do Matheus, Dr. Salomão, uma frase que realmente me emocionou na ultima consulta. Os amigos que ele conquista, são as suas conquistas. Ninguem pode ensinar pro Matheus como fazer amigos. E eu fico tão tão orgulhosa de saber disso. É uma bobagem, mas no meio da correria, não percebemos esses detalhes tão pequenos que fazem total diferença para o futuro dele.

Querem se deliciar como eu ??? Lá vai :

Lendo a Cartilha de Inclusão na Escola, uma parte do texto me chama muito a atenção:

“A educação inclusiva se concentra na implementação das melhores práticas para crianças com necessidades especiais dentro da sala de aula regular. Dentro de salas de aula inclusivas, todas as crianças tem a oportunidade de interagir e aprender com seus pares.

Ambientes inclusivos podem aumentar a oferta de oportunidades de interacções sociais para as crianças com autismo e por sua vez, melhorar as habilidades sociais desta população. Interagir com seus pares dá aos alunos com autismo a oportunidade de praticar habilidades de comunicação, desenvolver amizades e ver como se comportam os colegas nas situações do dia a dia.

As pesquisas têm demonstrado que os colegas podem ajudar a ensinar habilidades sociais para alunos com autismo. Para que isso aconteça, as atividades deverão ser devidamente estruturadas; informação sobre autismo e como interagir com a pessoa autista tem de ser disponibilizada aos colegas, e os professores têm que guiar ativamente as interações e reforçar os esforços de interação entre os alunos com autismo e seus colegas (Wagner, 1999).

Os colegas também se beneficiam por terem colegas com autismo em sala de aula. Quando os colegas de crianças com autismo são educados sobre o autismo, e lhes é dada uma oportunidade para atuar como tutores dos colegas / amigos, eles aprendem a aceitação e a empatia, agem como modelos, e se tornam mais conscientes sobre os pontos fortes e fracos de cada indivíduo.(Wagner, 1999).”

Pra mim hoje, apesar de parecer maçante pra ele, ficar na escola o dia todo, o maior aprendizado dele esta aí. Lidar com outros colegas que não concordam com tudo o que ele quer, participar com a turma de outras atividades, aprender que nem tudo acontece no tempo em que esperamos (normalmente as crianças neurotípicas aprendem isso mais rápido), enfim fazer parte de uma sociedade em que ele precisa aprender a se encaixar nas normas que ele não desenhou e pensa que vai acontecer.

Ano passado, percebemos que ele estava completamente perdido na sala de aula que estava (infantil III ) e voltamos ele para o (Infantil II), apesar do medo e daquele sentimento que ele pode ficar pra trás, foi a melhor decisão que tomamos! Ele se encaixou com a turma rapidamente, fez novos amigos, e conseguiu acompanhar a sala, dentro das suas limitações é claro.

Temos hoje um trabalho de adaptação de material pra ele, que será intensificado no ano de 2012, com os materiais que eu devo adaptar, pós curso que fiz de adaptação de materiais para crianças especiais, para que ele consiga acompanhar sua turma inclusive no aprendizado.

Ano passado, ficamos focados apenas em sociabilização, mas percebi que temos que focar em tudo, dentro dos limites dele, sociabilização, comunicação, aprendizado alfabético, etc….

Eu só queria falar um pouco pra vcs hoje sobre mais um dos MITOS do autismo:

Quem disse que não podemos compartilhar a mesma escola e a mesma classe?

Teve um tempo em que os amigos dele me falavam assim:

Tia Gi, eu não quero brincar com o Matheus, ele não responde quando eu chamo e também não fala comigo.

Sempre explicava pra eles de uma forma clara para a idade deles. Por exemplo: qual a sua cor preferida? Alguns respondiam verde, laranja, azul e Eu falava, pois é o Matheus gosta e prefere azul. Logo, vocês são diferentes por isso.

Outra coisa que eu falava e que eles na hora já desencanavam era sobre a questão do almoço.

Eu perguntava: Como você saber que o Matheus esta com fome? E eles diziam que ele pegava a lancheira e mostrava ou dava para a professora. E eu dizia, viu !!!! Ele fala, do jeito que sabe até agora.

Nem sempre vocês vao encontrar pessoas que são como vocês. O Matheus ainda não verbaliza, mas se comunica com vcs!

E eles falavam, é verdade Tia !!!!!!!!!

Não sei se entrava na cabecinha deles, mas sempre faço meu papel de mostrar o outro lado da moeda🙂

E vou continuar sempre!!!  Fazendo tudo o que puder para que meu filho seja aceito da forma como é. Diferente sim, mas não menos especial, não menos inteligente, não menos querido, não menos amado!

5 responses to this post.

  1. Posted by Iris on 15/02/2012 at 16:48

    Gis, estou adorando saber de todas suas experiências e lutas! Esse blog é mais uma prova da mulher forte e corajosa que é e por isso sinto muito orgulho de você! Beeijo carinhoso! Te amo!

    Responder

  2. É amiga…
    Ainda estou analisando o trabalho da escola do meu.
    Espero estar enganada e que eles estejam fora da média!
    Bjão

    Responder

  3. Posted by Márcia Bastos Satyro on 16/02/2012 at 0:42

    Gi, só uma correção, a escolinha já teve caso de inclusão sim… Bjo

    Responder

  4. Posted by Mara Brayner on 16/02/2012 at 16:38

    Estou fascinada com sua experiências. Esse blog esta me ajudando a estudar sobre Autismo. obrigada por sua vidaheus e a do Mat aberta pra mim.

    Responder

  5. Posted by Daniela Alves on 17/02/2012 at 19:00

    Gi..
    Que lindo… tudo isso, estou adorando seus post’s… não tem uma vez que não fico emocionada! Parabéns. Vc é um exemplo de Mãe batalhora e Guerreira!

    Responder

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

TodosSomosSemelhantes

Um pouco mais sobre a nossa vida...

Uma voz para o autismo

Um pouco mais sobre a nossa vida...

%d blogueiros gostam disto: