De cara com a verdade !

Desde os 4 meses Matheus ficou com uma babá em casa. Sim, porque descobrimos a sua alergia à proteína do leite e por medo dele ter outra reação alérgica, escolhemos protege-lo (claro que achávamos isso!!!).. ficar em casa é muito cômodo na situação deles… não precisa aprender nada novo, não precisa passar por nada que os causem medo, não é preciso se comunicar com ninguém (fora a pessoa que já esta com vc o dia todo..)… Claro que eu não sabia disso.

A babá dele era mais uma avó do que qq coisa… carregavaele no colo o tempo todo, fazia soninho, comidinhas, sucos, e muito desenho. Esse era o seu dia a dia. Quando chegávamos, assistíamos mais filme com ele e aproveitávamos o seu sorriso e gargalhadas pelo tempo que ficasse acordado.

Em dezembro de 2008 ela nos avisou que teria que sair. Tive um mês para encontrar uma escola em período integral, adaptar tudo para que ele pudesse ir pra escola e me desesperar bastante. Em fevereiro de 2009 ele começou na escola. Sabíamos que tinha um período de adaptação, toda criança tem. Mas não sabia o que estava me esperando….

Como era muito apegada com ele e estava sofrendo por todas as perdas que eu estava tendo, a senhora que me ajudava em casa, a comodidade em saber que ninguém daria nada que tivesse leite pra ele, e a pessoa que sempre me cobria nos momentos de dificuldade ou alguma crise de rinite ou gripe do Matheus. Como foi difícil aquela separação…. Enfim, voltando! Como era apegada com ele, decidimos que o Pai, Eduardo, faria o período de adaptação. E la foram eles…

A primeira semana foi de meio período, de vômitos, mordidas e muito, muito, choro. Era um choro desesperador!

Na segunda semana, a coordenadora me chamou e tinha certeza que era manha. Porque ele não queria sair de casa, do seu conforto, e então chorava pra chamar a atenção. E mais uma semana de choro incessante!

Neste momento, as férias que eu tinha tirado de 15 dias pra acompanhar a adaptação dele, já tinham acabado e ele ao entrar na rua da escola já começava a chorar e se debater no carroé claro que não estava adaptado. Tive que tirar mais 15 dias….

A terceira semana eu fui com ele. Ficava meio período e o outro eu deixava 1 ou 2 horas e já voltava pra buscar. Não sei dizer se ele chorava mais, ou se, eu chorava mais que ele. Deixava ele la dentro, entrava no carro, ligava o som e chorava o tempo todo que ele estava la dentro! O meu desespero era porque ali ninguém conhecia ele e elas me diziam o tempo todo que ele estava nos testando, que era só mais uma forma dele chamar atenção. Eu não entendia aquele desespero, que de tanto choro virava vômitos outra coisa interessante era que ele só comia quando via que era a minha tapperware que havia mandado com comida pra ele. Daí comia tudo…

Mas, finalmente chegamos à quarta semana…e a coordenadora me chamou na segunda e fez a fatídica pergunta: Você confia ou não em nós?

Fiquei engasgada! Minha resposta era: quero e preciso confiarmas ainda tenho medo.

Não foi essa minha resposta! Respondi Sim. E ela me pediu pra ir embora então que eles dariam conta do recado. Já estavam no mercado há bastante tempo e dariam um jeito para que ele se adaptasse… Pois bem, consegui deixar ele e andar um quarteirão e não ficava mais na porta da escola.

Ele sempre preferiu os adultos às crianças. Então procurou 1 ou 2 pessoas que passavam confiança pra ele e conseguiu finalmente ficar. De qualquer forma, adorava correr e isso ajudava as crianças a se aproximr dele…

Vejam uma foto dele no carnaval de 2009..

Após 3 meses de escola, eles convocaram uma reunião conosco para informar que o Matheus destoava das outras crianças na questão de comunicação e sociabilização. Não sabiam ao certo informar o que era, mas alguma coisa estava errada. Foi neste momento, em Junho de 2009 que iniciamos a procura por exames e médicos para que em Outubro de 2009, fechássemos o quadro atual dele. Qual a moral da história?

A falta de entendimento e conhecimento de uma situação!

O que será que todo pai ou mãe, como eu, que não entende muito bem o que está acontecendo poderia fazer diferente?

Para os leitores, gostaria de pedir que reflitam sobre a situação pela qual passei.

Nao julguem as crianças que virem na escola do seu filho em período de adaptação, ou não, chamando-o de manhoso ou dizendo que é culpa da mãe que osuper-protege.

Nem sempre um choro seguido de vômito pra chamar nossa atenção

Não é bom que crianças prefiram adultos!

Sabem por quê?

O choro, a distância das crianças e outras situações que são “estranhas” aos nossos olhos, no começo, é uma das formas que eles têm para nos mostrar que estão incomodados! A sua forma de comunicar ou expressar que querem participar das brincadeiras, mas nem sempre conseguem se aproximar… o choro, demonstra claramente, e só vi isso depois de muito tempo, que ele não entende a situação que esta vivendo e fica ainda mais confuso…

Pense, esse é meu pedido, será que a criança que vocês acham “estranha” não tem algum transtorno de comportamento? Não precisa de ajuda para entender o que ela esta passando ou sentindo?

Antes de Julgar, lembrem do meu texto!

Beijos…


4 responses to this post.

  1. Posted by Suzana on 09/02/2012 at 15:19

    Gi Parabéns pelo blog, pela coragem, pela esperança e por tudo o que você faz. Eu sempre digo que são são mães como você que fazem a diferença no futuro dos filhos. E falando em filhos eu babo nessas fotinhas…Que bom que posso abraça-lo e apertar suas bochechinhas toda semana. Confio no potencial do Má, ele tem muito chão plea frente, conte comigo! bjs Suzana

    Responder

  2. Posted by Ceci on 09/02/2012 at 19:26

    Querida Gí
    Adorei sua iniciativa e mais do que isso, me emocionei com o relato desse primeiro período de escola e o que veio depois. Fico feliz em saber que a sua experiência poderá servir a outras pessoas. Esse é para mim o sentido da vida, o zentido de um blog, compartilhar o que nos emociona.
    Beijo da
    Ceci

    Responder

  3. Posted by Rafael Martins on 10/02/2012 at 15:20

    Gi,
    Muito bom teu blog.
    Parabéns pela iniciativa corajosa e por estar escrevendo muito bem.
    Beijo

    Responder

  4. Posted by Leomar on 19/02/2012 at 1:44

    Olá! Gostei de ver a sua coragem. E adorei a sua narrativa sobre o comportamento de como a escola e as pessoas devem ser mais sensiveis e não se fechar em seus pré- conceitos estabelecidos.

    Beijos,

    Leomar

    Responder

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